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O dia em que virei mentor num hackaton – e o que eu aprendi com isso

Nessas de escrever e desbravar novos mundos do empreendedorismo e da economia compartilhada, lá fui eu a convite da Fiesp e do Clube de Negócios para ser um mentor. Calma, não é bem esse tipo de mentor que você pensou – é uma pessoa que fica à disposição de equipes para orientá-las no melhor caminho que devem tomar em suas decisões.

No caso, fui mentor na quarta edição do Hackaton da FIESP, onde o desafio do evento era desenvolver uma solução tecnológica relacionada à economia compartilhada/colaborativa, em uma das três categorias: consumidor final, cadeia produtiva e social.

Para quem não conhece o termo: hackaton é como se fosse uma “maratona hacker”, onde equipes se concentram em períodos muito curtos para a realização de uma tarefa. No caso, as equipes tinham que desenvolver seus apps no espaço de mais de 70 horas de concepção, criação, desenvolvimento e publicação do aplicativo. Isso implicava em dormir (sim, dormir!) em barracas armadas dentro da FIESP, aproveitando todo o tempo possível para dar vida à seu projeto. São pequenas “salas de guerra” com tempo cronometrado para as coisas acontecerem.

E por isso o papel dos mentores era fundamental. Qual o melhor caminho de design para este app? Como criar um bom logo? O modelo de negócio está numa linha correta? Isso, afinal, é economia compartilhada? Era o que nós, como mentores, fazíamos lá – respondíamos essas perguntas e orientávamos nos melhores caminhos possíveis, com base no que conhecemos.

Foi uma experiência completamente nova para mim. Mas ao mesmo tempo, nada muito longe do que eu já vivia. Julgo que a vontade de compartilhar faz parte de mim há algum tempo, então eu fui com a onda aprendendo a extrair o melhor de mim para aquelas pessoas. Era uma baita responsabilidade, e acredito que consegui alcançar algumas cabeças com boas direções.

Eu e Laura Gurgel, do Clube de Negócios. Foto: Laura Gurgel

Aprendi algumas coisas no meio desse processo, tanto sobre mentoria quanto sobre a noção geral das pessoas sobre as novas economias. Compartilho (ahá!) esse aprendizado aqui com vocês.

O mentor é um facilitador, não um carrasco

Ser mentor é como ser um dos jurados do Masterchef na etapa em que eles estão “cozinhando” as ideias, mas sem o peso de colocá-los contra a parede. Você está lá para ajudar e transformar seu conhecimento em apoio para as ideias deles. Não é preciso forçá-los a correr contra o tempo – eles já tem um relógio correndo rápido nas suas costas. Então seja apenas um bom amigo que tem algo valioso a passar.

Ser mentor é como ser um dos jurados do Masterchef na etapa em que eles estão “cozinhando” as ideias, mas sem o peso de colocá-los contra a parede. Você está lá para ajudar e transformar seu conhecimento em apoio para suas ideias.

Ter vontade de compartilhar

Um bom mentor está lá não para si mesmo, mas para os outros. Me lembrei de quando comecei a escrever sobre esses assuntos todos do mundo das novas economias e não tinha muitas pessoas com quem conversar. E tive vontade de falar muito, e muito com as equipes. Passei tudo que eu pude ajudar, tudo que eu sabia. Isso é algo que tem que estar no DNA da pessoa – compartilhar é uma vontade, não algo induzido.

Não se ache a última bolacha do pacote

Não assuma que você é a verdade absoluta do universo. Ouça, e ouça muito o que eles têm a dizer. Dê valor às opiniões dos outros. Um bom mentor valoriza a opinião das pessoas que ele apoia, e com isso empodera seu trabalho a partir de bons feedbacks.

Tem que estar interessado no papel de mentor

Muitos mentores vão apenas para figuração nos eventos. Um mentor deve estar à disposição sempre das pessoas. Mostrar que você está lá à disposição, circulando entre as pessoas e até perguntando quando não te chamam mostra que você está interessado não só no trabalho deles, mas que você mostra entusiasmo em ser um mentor. Isso é muito valioso para quem está correndo contra o tempo e precisa de um caminho – afinal, qual mentor aqui está mais disposto a me ajudar?

Economia compartilhada ainda é um assunto novo

No que me cabia a mentorar, deu pra perceber que o assunto Economia Compartilhada ainda é algo que precisa ser melhor assimilado. Mesmo com bons cases ganhadores, lembremos que eram mais de 30 equipes. E entre elas, muitas ideias boas, mas outras meio perdidas no modus operandi de “querer ser o novo Airbnb de algo”. Algumas até confundindo a história toda e se colocando como atravessadores dos processos, ao invés de facilitadores. Economia Compartilhada é algo orgânico, que tira qualquer centralizador da jogada, e poucos lá sacaram isso de fato. É um tema novo em nosso cotidiano, e ainda há muito o que aprender – e espero que esse aprendizado resulte em grandes soluções no futuro.

Ademais, agradeço muito à Fiesp pelo convite e ao Clube de Negócios pela ajuda na mentoria. Espero ter ajudado!

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