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Uma nova era para o coworking no Brasil

Pra um movimento que nasce como ramificação da economia colaborativa para o compartilhamento do espaço físico, o coworking demorou para ficar realmente colaborativo no Brasil. Esta prática está presente no país desde 2007 e já cobre o território nacional com mais de 230 espaços dedicados a isso. Mas como qualquer negócio em fase de transição nesses novos tempos, ainda carrega alguns ranços como a competitividade e a falta de troca de informações.

Suspeito que isto esteja prestes a mudar. E por isso mesmo eu e mais algumas pessoas nos engajamos durante um mês para organizar o primeiro Encontro Coworking Brasil. Este podemos dizer, de boca cheia, que é o primeiro evento sobre e para o mercado de coworking nacional. Um dia cheio de palestras, networking e muito conteúdo. E que foi abençoado com um dia lindo de sol nos Jardins, em São Paulo.

Eu acredito que este evento marca o começo de uma nova era para o coworking brasileiro. É a tomada de consciência de que a formação e a evolução dessa prática só será possível com colaboração dos players envolvidos. O evento foi um ótimo resultado disso: em um mês conseguimos apoios, local e pessoas voluntárias sem fins lucrativos envolvidos. Tudo por um mesmo ideal. Parece meio idealista (e é de certa forma) mas é também uma necessidade. Os gestores desses espaços precisam conversar mais entre si. As conexões virtuais são boas, mas nada como um encontro cara a cara para aproximar e estender mais as relações de confiança. Quem era colega no Facebook virou amigo e confidente depois desse encontro. E a maioria com quem eu consegui falar saiu muito agradecido dessa experiência. E nós também.

Isto posto, com todos os agradecimentos devidos a parceiros, amigos, voluntários, hosts e o baile todo, listo abaixo alguns pontos altos do debate durante o dia, que eu julgo serem nortes estabelecidos daqui em diante.

O coworking como agente transformador

Se o trabalho remoto é um fortalecimento da descentralização dos pontos de trabalho da cidade (bairros residenciais x bairros comerciais) o coworking não pode mais investir somente nos bairros comerciais. E nem pode ser aplicado com falta de conhecimento local. Quanto mais o espaço criado for pensado para dinamizar a cena local da região e facilitar a vida de quem supre essa demanda, mais sustentável se torna o negócio. O espaço não pode ser apenas um provedor de serviço – deve ser um agente transformador da região e de quem está lá dentro.

É preciso observar a longo prazo as mudanças na cidade conforme o plano diretor de cada uma delas vai sendo executado, votado e aprovado. E com base nessas diretrizes imaginar um cenário onde seu negócio se encaixa com o que foi pensado para aquela região.

As preocupações globais são semelhantes às nacionais

Em congressos internacionais sobre o coworking parece que vamos encontrar todas as soluções para os nossos problemas – um sintoma da síndrome de vira-lata que boa parte de nós temos. Com a experiência compartilhada de quem foi pra lá deu pra perceber que a agenda é bem semelhante. Desde problemas básicos de estrutura e organização até turnover e gestão financeira.

E isso deve ficar bem mais claro com a chega de eventos internacionais sobre coworking ao Brasil. A GCUC South America vem para São Paulo, por exemplo.

Mas uma coisa me chamou a atenção: a preocupação de trazer o coworking pra dentro do mundo corporativo de forma mais amigável. Essa colaboração entre entusiastas, founders e empresas pode dar um samba bom se for bem conduzida e não cair no lugar comum do “chapéu do bem” que muitas empresas querem usar.

O conceito pode ser mais simples de se explicar

Se coworking ainda é um bicho de sete cabeças pra muita gente, é hora de criar novos meios de explicar isso e não cair no lugar comum da dificuldade. Faça associações livres que facilitem sua demonstração. Crie figuras de linguagem, modelos, desenhos. O conceito é mais simples do que parece e não precisa cair no lugar comum de ser detalhado demais, com gráficos e textos desnecessários.

Agendas locais antes das nacionais

O evento foi importante como um começo de algo, mas não deve ser a única agenda sobre coworking no Brasil. Ainda mais com a cena proliferando em diversas capitais. Eu imagino pequenos encontros com uma agenda mais prática focada em resolver problemas locais – questões tributárias, formas de colaboração mútua, negociação em lote com fornecedores. Isso seria bem mais efetivo e construidor de evoluções do mercado. Nacionalmente não temos impacto para isso porque cada cena é uma cena, e cada coworking é um coworking. Mas localmente este mapeamento é mais fácil. Lembra-se dos agentes locais? A mesma máxima se aplica a este ponto. A agenda nacional será consequência de uma cena localmente fortalecida.

Bom, dá pra ver que temos um monte de coisas a pensar e alguns nortes. Agora é hora de agir. Sempre juntos, claro. Este é um mercado de coopetitividade. E sempre deve ser.

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